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Humano ou transumano? A (des)construção humana em curso: tecnociência, bioética e educação

Págs.: 188
Edição: 1ª
Formato: 15x22 cm
Idioma: Português
Lançamento: 2017
ISBN: 978858200595

Autora: Angela Maria Hofer

Livro em papel:    
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Contracapa

O corpo humano e a própria natureza podem ser considerados obsoletos?

Conhecimento e poder colocam em questão o significado de "ser humano", destruindo
a ética tradicional. O projeto da trans e pós-humanidade está em curso.

Este é um livro que questiona: Existem limites para a tecnologia? É possível um entendimento de sua aceleração exponencial, em que também fomos inseridos e sequer percebemos?

O paradigma bioético busca fazer um contraponto na construção de uma via ética junto com o debate e uma prática que permita o exercício da cidadania na era da tecnociência. Este é um livro indispensável para o público em geral, alunos e professores.

Prefácio

Angela Maria Hofer

A biotecnologia é, para a maioria das pessoas, uma ilustre desconhecida, apesar de que, a cada dia, novas descobertas científicas nos são apresentadas pelos meios de comunicação.
As células-tronco, com suas perspectivas altamente potenciais de cura; a transgenia e a clonagem, que levantam indagações de alto poder de transformação das concepções biológicas, filosóficas e jurídicas, relacionadas com questões como: a transmissão da vida – continuará pelo processo natural ou será substituída por técnicas de reprodução in vitro –, barriga de aluguel, clonagem; a neurociência e os novos medicamentos, com atuação molecular; também está se apresentando o transplante de cérebro, esse com grandes indagações, tais como: mudará a identidade do sujeito? Como ficará o corpo de uma pessoa com vários transplantes? Ou com a intrusão de chips? E, por fim, não é possível deixar de lado a nanotecnologia, com profundas implicações com o humano.(1)
Entre os problemas que palpitam está o pouco conhecimento dos avanços científicos e tecnológicos, o que demonstra o distanciamento entre a ciência e a sociedade, bem como, da tecnociência e dos seus desdobramentos.

Tantos avanços na era da biotecnologia provocam um deslumbre no meio acadêmico, além do alardeio de nomes como “pós-humano,” “transumano”, “tecno-humano”, juntamente com a indiferença relacionada com os valores éticos “vigentes”.

No entanto, a preocupação central neste estudo é o contexto ético, ou melhor, bioético. Porém, há de se considerar que não é possível o estudo da bioética sem relacioná-la com as mudanças científicas e tecnológicas. Por sua vez, é preciso considerar a ciência e a técnica numa sociedade de valores profundos do individualismo, sob a égide do capitalismo.

Os meios de comunicação social estão preocupados em marketing, em índices de audiência. Essas preocupações em demasia fazem com que as programações deixem de ser educativas. O resultado consiste em veiculações com versões fantasiosas e reducionistas. Dessa forma, as pessoas podem ser impedidas de perceber os reais interesses deflagrados pelos meios de comunicação. Entre eles estão os políticos e os econômicos, que fundamentam as pesquisas e suas aplicações.

Estamos diante de muitas perguntas, de muitos problemas, cuja “solução” está longe de ser visualizada. Perante esses desencontros éticos, resta perguntar: qual ética é considerada concebível de aplicação nos diversos componentes descritos? Que tipo de acordos terão que ser construídos para fazer contraposição à tecnociência, insuflada pela ética do saber objetivo?

A superação das certezas, a partir da transposição do dualismo, gera também um problema: qual será a referência? Na posição de Zuben, “aumenta a preocupação quando ele indaga se a técnica está se sobrepujando cada vez mais sobre o símbolo, derrotando-o.”(2) Em outras palavras: a bioética se pauta na linguagem, no diálogo, na compreensão, estabelecendo princípios e fronteiras e a biotécnica desconsidera todos os limites e é da sua natureza transgredi-los. Posto tudo isso, como esperar um maior “acordo” entre bioética e tecnociência?

A bioética, entendida como a “ética da vida e para a vida”, pretende acompanhar os avanços da biotecnologia ampliando sua atuação, com relação entre os humanos com os não humanos e com relação à biosfera. A bioética não possui respostas. Tem o desafio e o compromisso de dialogar com a ciência, abrindo espaço para a “reconciliação” do ser humano com o mundo.(3)

Vivemos em uma época em que não existem respostas, existem dilemas. Estamos divididos numa espécie de encruzilhada na qual ninguém sabe onde vai dar. Proliferam os futurólogos que se nutrem da imaginação e interesses para vislumbrar as consequências de tanta intervenção no mundo. Vivenciamos mudanças profundas em toda a natureza, passando pela alimentação, pela saúde, por nosso cérebro, em nossas células e tecidos, nas relações sociais.

Dessas transformações, cada vez mais segmentadas em diversas áreas de saberes e de fazeres, também o horizonte epistemológico se concentra nas mãos de poucos especialistas aliados às corporações, a complexas indústrias militares, a governos tecnocráticos. Isso significa que decisões importantes estão sendo tomadas em nosso nome e ações delas decorrentes são totalmente imprevisíveis.

Não basta nos maravilharmos com a ciência e suas aplicações, é necessário problematizá-las. Na tentativa de reconstruir valores fundantes – sem os quais nenhuma sociedade pode subsistir e, aliando outros, que advêm da modernidade técnica atual, está se construindo a bioética como reflexão e como ética prática, que pretende dialogar não com princípios abstratos, mas com a vida que pulsa e freme e quer mais vida.

Em função da problemática que envolve a bioética, neste estudo procura-se fazer algumas reflexões sobre a questão do desenvolvimento do conhecimento científico e a dimensão humana.
Nesse sentido, o trabalho está estruturado da seguinte forma:

No Capítulo I, realizou-se uma contextualização sobre ética e ciência, bem como, suas relações controversas com a biotecnologia. A discussão procura demonstrar a relação entre esses componentes, sempre considerando o quanto a ciência oportuniza novas perspectivas gerando conflitos inéditos, os quais merecem uma análise sob a égide da ética.

No Capítulo II, fez-se um breve estudo sobre a tecnociência e a instrumentalização da natureza. A tradição científica ocidental é de dominação e exploração. Concebem a natureza, assim como a tecnologia, suas escravas. Em outra ótica, lembra Santos, “podemos construir um mundo não antropocêntrico, relacionando-nos como ‘singularidades livres’ com outros humanos e com os seres da natureza, em devir com a tecnologia. É a condição transumana.”(4)

No Capítulo III, traçou-se um panorama sobre os paradigmas biotecnológico e bioético, procurando um possível encontro entre eles. Enquanto que, para o primeiro, “tudo é permitido” e ultrapassar quaisquer barreiras éticas lhe é indiferente, para o paradigma bioético, nem tudo é possível; nele está circunscrito que é preciso ponderação, cuidado na manipulação de elementos cuja compreensão foge de nosso alcance. Existem possibilidades/realidades que não podem ser reduzidas à condição de mercadoria. Não podemos “tudo”, temos de respeitar certos limites, pois o que está em jogo é a própria vida, tal como a conhecemos.

E, no Capítulo IV, debateu-se sobre alguns dilemas bioéticos problematizando-os, estabelecendo-se pontes com o referencial teórico pesquisado. Possuir valores éticos não é o suficiente para o exercício bioético. Procurando uma contextualização desses dilemas, percebe-se o quanto precisamos estudar as tecnologias para ter um mínimo de seu entendimento, condição essencial para a bioética ser aplicada.

Na conclusão, averígua-se o imenso abismo entre o conhecimento tecnológico e a bioética, em que temos um vazio conceitual para compreendermos e um vazio ético. Assim, vemos que toda essa problemática e sua superação não possui ainda “respostas”. Talvez esse “vazio” que vivemos hoje esteja prenhe de novas realidades que podemos vir a realizar, sem dúvida. O conhecimento científico e suas aplicações pertencem a todos. Não pode ficar restrito a alguns pesquisadores e empresas. Para tanto, se não quisermos ser meros objetos/artefatos tecnocientíficos, é preciso, no mínimo, estudar, aprender e ensinar, tentando compreender e atuar, passo a passo, como condição da cidadania, pois é longo o caminho das pedras.

 

Notas de fim:

(1)   PEGORARO, Olinto A. Ética e bioética: da subsistência à existência. Rio de Janeiro: Vozes, 2002.

(2)    ZUBEN, Newton Aquiles Von. Bioética e tecnociências: a saga de Prometeu e a esperança paradoxal. São Paulo: Edusp, 2006.

(3)    Ibidem.

(4)    SANTOS, Laymert Garcia dos. Politizar as novas tecnologias: o impacto sócio-técnico da informação digital e genética. São Paulo: 34, 2003.

 

Sumário

INTRODUÇÃO / 11
CAPÍTULO I - ÉTICA, ABÓBORAS E OXITOCINA / 17
1.1  Ética e moral / 17
1.2  Ética e ciência / 20
1.3  A vida reduzida a elementos químicos / 23
1.4  Clonagem – células-tronco – eugenia / 26
1.5  Projeto genoma / 29
1.6  O corpo humano / 32
1.7  Bioética e educação / 40
CAPÍTULO II - O PARADIGMA BIOTECNOLÓGICO E O PARADIGMA BIOÉTICO: UM ANTAGONISMO SUPERÁVEL? / 49
2.1  A ética tradicional e a bioética / 49
2.2  O “homem novo” como projeto da utopia genética / 53
2.3  O exercício bioético como um contraponto à invasão da biotecnologia / 61
CAPÍTULO III - TÉCNICA E INSTRUMENTALIZAÇÃO / 69
3.1  Tecnociência / 69
3.2  O impulso fáustico / 76
3.3  Impasses e perspectivas / 85
CAPÍTULO IV - NOVE QUESTÕES BIOÉTICAS / 93
4.1  Eugenética / 93
4.2  Clonagem / 95
4.3  Conhecimento e poder / 100
4.4  Medicalização da vida / 103
4.5  O papel e os limites da ciência / 108
4.6  Corpo como máquina / 116
4.7  Educação em bioética / 132
4.8  Ética, técnica e bioética / 139
4.9  Natureza humana / 149
A TÍTULO DE CONCLUSÃO / 157
REFERÊNCIAS / 159
GLOSSÁRIO / 167

 

 


 
 

 

   
   
      


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