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Filosofia, homoafetividade e mulheres:
Questões emergentes 

Organizadores: Édison Martinho da Silva Difante, Nadir Antonio Pichler, Willian Guimarães
Autores:
Adriel Scolari, Ana Paula Monteiro dos Reis Emmendorfer, Camila Guidolin, Edimarcio Testa, Edison Martinho da Silva Difante, Francielle Moreira Cassol, Francisco Fianco, Icaro Bonamigo Gaspodini, João W. Nery, José Francisco Martins Borges, Lyncon Bravo Meotti, Nadir Antonio Pichler,
Rubens Mario dos Santos Franken, Silvana Terezinha Baumkarten, Willian Guimarães
Págs.: 214
Edição: 1ª
Formato: 14x21 cm
Idioma: Português
Lançamento: 2014
ISBN: 9788582000335

r$ 36,90

 

 

 

 

Abas

Realidade alternativa, outro mundo, vida após a morte... e Deus? Vale a pena abandonar a vida real do aqui em prol de uma vida fictícia em um além inventado? Em que isso resulta? Ódio, entre outras coisas... (Capítulo I)

''Aqueles que não acreditarem nos nossos signos, fatalmente serão lançados a assar no fogo do inferno...'' Que tal ir além de Maomé e do Alcorão e conhecer um pouco mais sobre a cultura da República Islâmica do Irã? (Capítulo II)

Se os preconceitos nascem da patologia intrínseca, da repugnância associada à falta de capa-cidade para o diálogo com o outro, com o estranho... qual perspectiva intercultural deveria ser trabalhada na escola? (Capítulo III)

Já que o esforço despendido pelos movimentos sociais e pelas ciências humanas e antropossociais tem sido o de apontar para a naturalização de hierarquias causadoras de exclusão e sofrimento... quais as masculinidades possíveis? (Capítulo IV)

A homossexualidade é uma das manifestações de comportamento e orientação sexual peculiares da humanidade, mesmo que, naturalmente falando, contrarie o darwinismo... mas a ciência epigênica diz outra coisa! (Capí-tulo V)

Qual o último obstáculo à adoção homoparental para quem já cruzou os próprios valores de casal ao abandonar a ideia de ter um filho biológico? (Capítulo VI)

Para entender um pouco sobre regulação dos corpos, com uma dose de Foucault, e a influência disso na maneira que o Estado administra esta questão, leia o Capítulo VII.

Se tanto os homens quanto as mulheres possuem a mesma capacidade de refletir filoso-ficamente, por que elas não se aventuraram tanto quanto eles a pensar intelectualmente? (Capítulo VIII)

Ou santas ou prostitutas? Esse é o principal resquício discriminatório da Idade Média nos dias de hoje? Entre preconceitos e desigualdades, pode-se falar em mulher ideal? (Capítulo IX)

Descubra os reflexos dos estereótipos femininos da época de Immanuel Kant, a partir de dois de seus textos, no Capítulo X.

Há uma área ou um espaço destacado, dentre as inúmeras possibilidades da atividade humana, que colocaria em relevo pelo menos algum dos aspectos essenciais da figura feminina? (Capítulo XI)

Contracapa

Charles Pimentel,

editor

A bioética é a primeira camada do conhecimento que se estende a todos os seres do mundo da vida (como propôs Paul Jahr em 1927 na Alemanha), onde se apoiam questões de sexualidade e gênero, e consequentemente de homoafetividade e mulheres. Estes assuntos são abordados neste livro por 15 autores atuantes em um grupo de estudos sobre filosofia, com vínculos em cursos universitários de graduação e pós-graduação no Norte do Rio Grande do Sul.

Tanto a bioética como este livro respeitam a todos os seres vivos como fins em si mesmos e não só como meios, propondo aproximar ser e dever-ser, fatos e valores, objetividade e subjetividade, falso e verdadeiro, entre outras dicotomias da filosofia clássica e da ciência. A ideia é ser uma ponte para, tal como explicam os organizadores, um ''mundo interconectado, conjuntivo, integrado, holístico, com ordem, desordem, caos, entropia, enfim, complexo.''

Há ainda obstáculos pluriculturais pelos quais os indevidamente chamados de ''estranhos morais'', pessoas com posturas, critérios, práticas morais e orientações sexuais diferentes, têm que cruzar em busca de respeito, dignidade e autonomia, isto é verdade... porém, as ideias estão aí, neste livro, em alguns âmbitos da sociedade pensante, frutíferas e proveitosas às áreas da saúde, das políticas, dos direitos, das relações pessoais etc., basta semeá-las em um consenso mínimo e esperar germinar visões, decisões, condutas e bons costumes que ampliem as dimensões morais do agir humano na contemporaneidade.

Apresentação: e questões emergentes em torno do mundo da vida

Édison Martinho da Silva Difante
Nadir Antonio Pichler
Willian Guimarães

(Orgs.)

O objetivo do livro Filosofia, homoafetividade e mulheres: Questões emergentes é apresentar e descrever, na perspectiva analítico-reconstrutiva, dialógica e hermenêutica, temas relacionados ao campo de investigação da bioética, a ética da vida, especificamente em torno da homoafetividade e da emergência das mulheres.

Esta obra é mais um resultado do grupo de estudos sobre filosofia e homoafetividade, ligado ao projeto de pesquisa Temas de bioética: principialismo, ética ambiental, o processo da morte e do morrer e envelhecimento humano, desenvolvido por professores e alunos do curso de Filosofia e da área de ética e conhecimento e de cursos de graduação e pós-graduação da Universidade de Passo Fundo, bem como de pesquisadores de outras instituições. Vale lembrar que um outro livro já foi publicado em 2012 pelo mesmo grupo, pela Editora Méritos, a obra Filosofia e homoafetividade.

Os temas homoafetividade e mulheres pertencem às novas abordagens da bioética, centradas no eixo sexualidade e gênero. A seguir, estabelecemos as possíveis aproximações destas questões emergentes com a bioética e, também, faremos uma apresentação sucinta de cada capítulo.

A bioética é um campo de investigação que iniciou seu desenvolvimento sistemático na década de 1960 nos Estados Unidos. Tradicionalmente, a autoria do termo bioética teria sido cunhada pelo biólogo e oncólogo norte-americano Van R. Potter (1911-2001), em 1971, no seu livro intitulado Bioethics: bridge to the future.

Entretanto, recentemente, descobriu-se que o termo já havia sido cunhado por Paul Max Fritz Jahr, bio-ethik, em 1927, na Alemanha, no artigo intitulado Bioética: Uma revisão do relacionamento ético dos humanos em relação aos animais e plantas, publicado na revista Kosmos.
Depreende-se que Jahr tinha uma pretensão humanista, com uma bioética centrada no mundo da vida, inanimada ou animada, voltada aos seres humanos, aos minerais, às plantas, aos animais, aos ambientes natural e social, enfim, à Terra inteira. Seu imperativo bioético era o respeito a todos os seres vivos como fim em si mesmo e não só como meio. Se Kant pregava que a pessoa humana era fim em si mesma, portadora de dignidade e não meio para outra coisa, Jahr ampliava esse princípio fundamental a todos os seres do mundo da vida.

De certa forma, as preocupações de Potter já estavam presentes na abordagem de Jahr.

Com isso, o objetivo da obra e do pensamento de Potter foi instaurar uma discussão que procurasse superar a dicotomia clássica na filosofia entre ser e dever-ser, ou seja, entre fatos e valores, objetividade e subjetividade, ser e pensar, prática dicotômica científica, filosófica e teológica instituída na Modernidade, principalmente pela herança cartesiana e newtoniana.

Convém destacar que essa forma de pensar e agir tornou-se predominante a partir do século XVI até nossos dias. Nesse paradigma do saber, só é científico aquilo que é mensurável, verificável e quantificável, passível de ser submetido aos passos do método científico, de acordo com ideias claras e distintas.

Esse paradigma de saber criticado por Potter classifica, interpreta e explica a realidade em termos disjuntivos e dicotômicos, centrados em categorias como objetivo e subjetivo, verdadeiro e falso, masculino e feminino, Deus e diabo, heterossexualidade e homossexualidade etc., sendo a primeira categoria (objetivo, masculino etc.) considerada padrão, verdadeiro, certo, justo. E a bioética procura ser uma ponte para ampliar a compreensão do mundo como um todo interretroconectado, conjuntivo, complexo, integrado, holístico, marcado pela ordem, desordem, caos, entropia, organização, desorganização, enfim, pela complexidade.

Além do mais, a preocupação central e sistemática de Potter era com o futuro do planeta Terra, principalmente com a questão ambiental, sua biodiversidade e seus ecossistemas, integrando sabedoria e conhecimento. Assim, a bioética preocupa-se com a vida em seus aspectos gerais, como a vida vegetal, animal, humana e cósmica, tese já defendida por Fritz Jahr.

Consequentemente, questões emergentes como o respeito, a dignidade e a autonomia de pessoas com identidades e orientações homoafetivas e a crítica aos valores heteronormativos em relação às mulheres enquadram-se nessa perspectiva integradora, em busca de uma ética do cuidado, com caráter humanista, igualitário, mas se mantendo as devidas diferenças perceptivas, emocionais e físicas.

De acordo com a Encyclopedia of bioethics, v. 1, p. XXI, a bioética é um neologismo derivado dos termos gregos bios (vida) e ethike (ética). Numa perspectiva estrita, é caracterizada como um estudo sistemático em torno das dimensões morais do agir humano, envolvendo visão, decisão, conduta e normas morais referentes às ciências da vida e da saúde, apropriando-se de diferentes sistemas, princípios e metodologias éticas, em um contexto interdisciplinar, multidisciplinar e transdisciplinar.

Se as discussões sobre estas e outras questões bioéticas e éticas não giram em torno de uma visão unitária da realidade e de fundamentos morais unânimes, o que dizer de questões voltadas à discussão e à compreensão da dimensão da sexualidade humana, de gênero e de homoafetividade. Porém, isso está se tornando cada vez mais possível, porque as sociedades atuais caracterizam-se continuamente em torno do pluriculturalismo, sendo natural, pesquisadores depararem-se com discussões em torno de estranhos morais, ou seja, pessoas com posturas, critérios, práticas morais e orientações sexuais diferentes.

Se a bioética possui esse caráter interdisciplinar, logicamente são muitas as suas áreas ou temáticas de atuação. Eis algumas: a) Questões sociopolíticas em bioética; b) Investimentos em saúde e saúde pública; c) Relacionamento entre médico e paciente; d) Fertilidade, reprodução humana e clonagem; e) Pesquisa biomédica e comportamental; f) Saúde mental e questões comportamentais; g) Sexualidade e gênero; h) Processo da morte e do morrer; i) Genética; j) Ética da população; k) Doação e transplante de órgãos; l) Ética em pesquisa com humanos e animais não humanos; m) Meio ambiente e sustentabilidade; n) Códigos, juramentos e outras diretrizes; o) Biotecnologia, biossegurança, bioterrorismo; p) Biodireito; q) Neuroética etc.

Dessa forma, os temas tratados pela bioética são divididos em duas áreas: questões bioéticas persistentes e questões emergentes.

As persistentes constituem as questões tradicionais que envolvem a ética médica, como a relação médico-paciente e a aplicação do princípio da beneficência, além de temas como suicídio, pena de morte etc.

As emergentes são problemas e avanços atuais decorrentes da revolução tecnológica e da maior consciência do homem em relação aos direitos e deveres civis. Aliadas a isso, desenvolvem-se cada vez mais a busca da autonomia, do respeito e da dignidade humana de pessoas e grupos, conquistando espaço para afirmação de suas identidades, legitimação de seus desejos e orientações sexuais, como o movimento LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros) e a emergência das mulheres, requerendo igualdade de condições e direitos, mas com diferença – serem mulheres. De acordo com a filósofa Simone de Beauvoir, a mulher não nasce mulher, mas se torna mulher.

Todas estas e outras questões da bioética ultrapassam o campo tradicional de investigação da ética tradicional. Elas inquirem, na área de suas reflexões, questões pertinentes relacionadas ao sistema público e jurídico da sociedade, à ecologia, à biotecnologia e biossegurança, à demografia, ao avanço dos direitos sociais da assistência à saúde preventiva e curativa, aos direitos individuais ao aborto, à eutanásia, à ortotanásia e aos transplantes, à reprodução humana por métodos artificiais, à sexualidade e à questão de gênero, dentre outras. Faz-se necessário criar um consenso mínimo para estas questões, considerando a pluralidade de valores e, até mesmo, postular a tolerância diante dos desafios éticos da contemporaneidade.

Os capítulos a seguir giram direta e indiretamente sobre essas questões emergentes da bioética do mundo da vida.

Para isso, dividimos o livro em duas partes.

Na Parte I, intitulada "Filosofia e homoafetividade", os autores discorrem desde sobre questões históricas até as discussões atuais concernentes à homoafetividade.

No texto Os fundamentos religiosos da homofobia no pensamento monoteísta, Francisco Fianco aborda o aspecto da condenação do diferente e sua consequente perseguição e tentativa de eliminação, centralizado aos monoteísmos. Buscando identificar os principais elementos dessa condenação, o autor toma por base a Bíblia católica, cotejando o livro do Gênesis e do Levítico com autores contemporâneos, tais como Nietzsche, Freud e Foucault.

Nesse sentido, o texto busca demonstrar como o pensamento religioso, especialmente o monoteísta, não ataca apenas a homossexualidade e suas práticas, como também a sexualidade humana não regulamentada por suas estruturas de poder e dominação como um todo. A ignorância dogmática do pensamento religioso não atinge apenas os homossexuais e os transexuais, mas todos os seres humanos que têm a coragem de quebrar esse ciclo de ódio à vida e ao sexo. Tal prática se intensifica, porém, em relação aos homossexuais porque suas atitudes não se conformam ao modelo religioso de sexo apenas com intenção de procriação.

Já o capítulo de Camila Guidolin, intitulado Afeto convertido: A homoafetividade na república islâmica do Irã, traz para a discussão a questão da homofobia no contexto do Oriente Médio muçulmano, governado, senão na teoria, pelo menos na prática, por teocracias fundamentalistas. Considerando que, essas teocracias baseiam-se na religião e numa determinada interpretação do Alcorão, elas abrem espaço não apenas a discriminação, mas a efetiva eliminação do diferente, nesse caso personificado pela figura do homossexual. O texto aborda o caso específico do Irã através de uma contextualização histórica do surgimento do Islã, da análise de alguns elementos presentes no Alcorão, bem como de uma abordagem referente aos eventos gerados a partir da Revolução iraniana de 1979 e da criação do Código Penal islâmico do Irã, com artigos definindo as punições para os homossexuais no país.

Adriel Scolari, em Possibilidades educacionais para desestabilização de preconceitos, à luz de
Martha Nussbaum
, reflete acerca da estigmatização e exclusão de determinados grupos de indivíduos, em especial aos de orientações sexuais diversas do padrão heteronormativo. Estes estigmas provocam agressões físicas e psicológicas que restringem a própria liberdade e dignidade humana. Pautado pelas questões: Existe uma possível desestabilização desta repugnância? Como ela se daria?, o autor apoia-se principalmente na argumentação de Martha Nussbaum, em seu livro Hiding from humanity: disgust shame and the law, que, com um amplo estudo a respeito da repugnância, vergonha e a lei, trata especialmente da vulnerabilidade humana, refletindo acerca da complexa e frágil estrutura de desenvolvimento dos seres humanos.

Primeiramente, Adriel trata da questão da repugnância como patologia, apontando que a mesma influencia certas atitudes de determinadas pessoas, justificando-se pela própria não aceitação de ser animal e mortal. Em um segundo momento do texto, alguns questionamentos são feitos ao discurso, já apontado para a última parte, que enfatiza o papel da escola e da educação como primordiais para a possível desestabilização de certos preconceitos e estigmas que criam limites a certos grupos na sociedade.

No capítulo de João W. Nery e Ícaro Bonamigo Gaspodini, Transmasculinidades: provocações introdutórias, são explorados, de forma introdutória, temas como a transmasculinidade, contribuindo para os processos de visibilidade da categoria e comentando também a influência de João W. Nery na articulação das subjetividades transmasculinas residentes no Brasil. Os autores abordam, em um primeiro momento, as construções de gênero e suas transitoriedades, apontando para o equívoco da medicalização e a psiquiatrização da diversidade humana. Na sequência, tratam das masculinidades possíveis sendo enfatizado que a articulação política dos transhomens brasileiros foi oficializada a partir da fundação da Associação Brasileira de Homens Trans (ABHT), ocorrida em 2012, evidenciando o rompimento com um estado de invisibilidade.

No capítulo Sobre diversidade sexual, Lyncon Bravo Meotti, Nadir Antonio Pichler e Edimarcio Testa abordam alguns aspectos históricos de como a homoafetividade foi tratada, principalmente pela área médica. Embora peculiar, o fato de sua constante existência tanto na espécie humana como em diversos outros animais pode-se descrever como um comportamento natural. Paradoxalmente, essa ação contraria os critérios darwinianos de permeabilidade da espécie.

O texto primeiramente aborda a despatogenização, ou seja, a passagem da nomenclatura homossexualismo à homossexualidade, visto que, o conceito etimológico de homossexualismo nos remete aos livros e trabalhos relacionados a patologias psiquiátricas e psicológicas, tornando o termo em si classificatório e patogenizador. A segunda explora, de forma hipotética, a possibilidade da homossexualidade biológica. Nessa perspectiva biológica, não existe propriamente dito um gene que caracterize a homossexualidade, mas existem condições e mecanismos que podem tornar a orientação sexual muito mais biológica do que pensávamos antes.

Ainda, em Adoção homoparental: o preconceito na constituição de uma nova família, Willian Guimarães, Nadir Antonio Pichler e Silvana Terezinha Baumkarten discutem as novas possibilidades da adoção homoparental. A adoção por pessoas do mesmo gênero, denominada de adoção homoparental, trilhou um caminho também singular até ser discutida no âmbito acadêmico.

Com os movimentos feministas de 60, os direitos LGBTs também entraram em pauta por uma população discriminada e negligenciada pela justiça e pela sociedade como um todo. Enquanto a adoção gradualmente era debatida pelo senso-comum, os direitos LGBTs avançavam. A norma intrínseca social que concebia o heterossexual como dito normal, chamada de heteronormatividade, começa a ser questionada e junto com ela emerge o debate dos direitos de casar e adotar de pessoas homoafetivas.

Por último, no texto Jurisdição constitucional brasileira: homoafetividade e cidadania, Rubens Mario dos Santos Franken e Willian Guimarães estabelecem uma relação entre o papel da filosofia e dos direitos humanos com a homoafetividade. Os autores fundamentam seus argumentos, numa perspectiva hermenêutica (em alguns filósofos), em autores que defendem a união homoafetiva, no artigo 5º da Constituição Federal de 1988, numa Resolução do Superior Tribunal de Justiça, que trata do casamento de pessoas do mesmo sexo; na Declaração Universal dos Direitos do Homem, da Organização das Nações Unidas; no Código Civil de 2002, dentre outros.

Já na Parte II, intitulada "Filosofia e as mulheres", abordam-se também algumas questões históricas e recentes, destacando-se principalmente a visão de alguns filósofos e de uma filósofa acerca da mulher na cultura e na sociedade.

Para isso, Ana Paula Monteiro dos Reis Emmendorfer, no capítulo As mulheres, suas classificações e a filosofia, analisa alguns aspectos dos significados, símbolos e valores atribuídos às mulheres pela cultura ocidental, oriundos de diferentes contextos históricos. Inicialmente, apresenta a visão de mundo do gênero feminino na perspectiva grega por meio de Aristóteles. Depois, a partir de um contexto moderno, com ênfase na busca da autonomia e luta por direitos, descreve como Simone de Beauvoir analisa a construção social e cultural do gênero mulheres. Por último, aborda como as mulheres podem ser enquadradas num contexto da linguagem, na visão do filósofo contemporâneo Ian Hacking, com a teoria making up people.

Em A mulher na Idade Média – de santas a prostitutas, Francielle Cassol, Édison Martinho da Silva Difante e José Francisco Martins Borges destacam que essa temática data de 1960, por influência de áreas do conhecimento como a história social, a antropologia e a sociologia. O período que compreende a Idade Média foi conhecido como a "Idade das Trevas".

Entretanto, sabe-se hoje que esse entendimento era falho, visto que muito foi produzido social e culturalmente. Sendo assim, os autores apresentam uma nova postura historiográfica que nos permite novos olhares sobre a temática da mulher, mostrando ao leitor que se por um lado estas deveriam ser submissas a seus pais e esposos, por outro o ideal de mulher era aquela extremamente religiosa – quase uma santa.

E nesse contexto também existiram aquelas que deveriam ser o oposto de todas as outras, mulheres que foram idolatradas e rejeitadas ao mesmo tempo, ou seja, as que se renderam aos prazeres carnais e entregaram-se à profissão de prostitutas.

No texto Sobre a pseudo-representação da mulher nas Observações e na Antropologia de Immanuel Kant, os autores Édison Martinho da Silva Difante, Francielle Cassol e José Francisco Martins Borges buscam caracterizar, mesmo que ligeiramente, por assim dizer, a argumentação de Kant referente à figura feminina. Visto que esse assunto não faz parte do arcabouço da filosofia crítica kantiana, os autores tomam por base os textos pré-críticos de Kant, intitulado Observações sobre o sentimento do belo e do sublime e também Antropologia de um ponto de vista pragmático, que, embora publicados na década de 1790, não consistem em escritos críticos.

Mesmo que, dentre as obras mencionadas, a segunda tenha sido publicada mais de trinta anos depois da primeira, a metodologia empregada por Kant é basicamente a mesma nos dois escritos, a saber, o método empírico observacional. Buscando fazer (e oferecer) uma leitura contextualizada da argumentação de Kant, o que não significa uma defesa ao filósofo de Königsberg, o texto busca enfatizar que o pensamento de Kant referente à mulher e ao feminino nada mais é do que o reflexo de uma época.

José Francisco Martins Borges, Édison Martinho da Silva Difante e Francielle Cassol, no texto A atuação feminina na ética do cuidado, voltam-se aos problemas éticos que seguramente podem ser considerados atuais. Partem da investigação sobre a teoria desenvolvida por Lawrence Kohlberg (1927-1987), que, ao estudar o desenvolvimento moral das crianças, elaborou o chamado "Dilema de Heinz", demonstrando que há estágios morais diferentes entre menino e menina. Posteriormente, tomando por base a obra Ética: conceitos-chave em filosofia, de Dwight Furrow, é apresentada uma crítica à teoria de Kohlberg, de que os meninos estariam em vantagem quanto ao desenvolvimento moral.

O texto, em sua última parte, coloca em evidência o caráter inadequado das teorias da obrigação tradicionais (que seriam abordagens masculinas) em lidar com problemas concretos. Se as teorias éticas tradicionais mostram-se inadequadas quando abordam as relações entre amigos e familiares, o mesmo não ocorre na ética do cuidado e aqui a mulher tem um papel ativo.

Sumário

Apresentação: Bioética e questões emergentes em torno do mundo da vida
Os organizadores  /  5

Parte I
Filosofia e homoafetividade

Capítulo I - Os fundamentos religiosos da homofobia no pensamento monoteísta
Francisco Fianco  /  23

O ódio à vida  /  25
Considerações finais   /  37
Referências   /  38

Capítulo II - Afeto convertido: a homoafetividade na República Islâmica do Irã
Camila Guidolin  /  41

O Alcorão e a sexualidade “islamizada”  /  42
A homoafetividade na lei islâmica: o caso iraniano  /  47
Considerações finais  /  56
Referências  /  57

Capítulo III - Possibilidades educacionais para desestabilização de preconceitos,
à luz de Martha Nussbaum
Adriel Scolari  /  59

Patologia da repugnância  /  60
Desestabilização dos preconceitos  /  62
Educação liberal e educação para a democracia  /  65
Possibilidades educacionais  /  69
Considerações finais   /  72
Referências  /  73

Capítulo IV - Transmasculinidades: provocações introdutórias
Icaro Bonamigo Gaspodini, João W. Nery  /  75

Construções de gênero e suas transitoriedades  /  77
Masculinidades possíveis – as transmasculinidades  /  79
Contribuições de João W. Nery  /  83
Considerações finais  /  87
Referências  /  88

Capítulo V - Sobre diversidade sexual
Lyncon Bravo Meotti, Nadir Antonio Pichler, Edimarcio Testa  /  91

Do homossexualismo à homossexualidade:
a despatogenização de um preconceito  /  92
Possibilidade da homossexualidade biológica  /  96
Considerações finais   /  100
Referências  /  101

Capítulo VI - Adoção homoparental: o preconceito na constituição de uma nova família
Willian Guimarães, Nadir Antonio Pichler, Silvana Terezinha Baumkarten  /  103

Adoção homoparental como possibilidade de parentalidade  /  104
Metodologia  /  108
Análise e discussão dos dados  /  111
Considerações finais  /  115
Referências   /  117

Capítulo VII - Jurisdição constitucional brasileira: homoafetividade e cidadania
Rubens Mario dos Santos Franken, Willian Guimarães  /  121

Da filosofia à homoafetividade: refletindo a partir da
dignidade humana  /  125
Da filosofia à homoafetividade: refletindo a partir da
evolução da legislação brasileira   /  128
Considerações finais  /  134
Referências   /  135

Parte II
Filosofia e as mulheres

Capítulo VIII - As mulheres, suas classificações e a filosofia
Ana Paula Monteiro dos Reis Emmendorfer   /  139

A classificação das mulheres por Aristóteles  /  140
A classificação das mulheres por Simone de Beauvoir  /  144
A classificação das pessoas (mulheres) por Ian Hacking  /  148
As mulheres e a filosofia  /  151
Considerações finais  /  152
Referências  /  153

Capítulo IX - A mulher na Idade Média: De santas a prostitutas
Francielle Moreira Cassol, Édison Martinho da Silva Difante, José Francisco Martins Borges  /  155

A mulher ideal: santa ou a rainha do lar  /  158
A mulher da rua – e a prostituição no Medievo  /  163
Considerações finais   /  167
Referências   /  168

Capítulo X - Sobre a pseudo-representação da mulher nas Observações e na Antropologia
de Immanuel Kant
Édison Martinho da Silva Difante, Francielle Moreira Cassol, José Francisco Martins Borges  / 171

Considerações acerca do belo sexo: a mulher nas Observações sobre o sentimento
do belo e do sublime  / 173
Observações sobre as características femininas na
Antropologia de um ponto de vista pragmático  / 183
Considerações finais  / 190
Referências / 190

Capítulo XI - A atuação feminina na ética do cuidado
José Francisco Martins Borges, Edison Martinho da Silva Difante, Francielle Cassol  / 193

O ponto de partida: a teoria de Lawrence Kohlberg  / 195
A crítica de Carol Gilligan à teoria de Kohlberg  / 198
Uma ética feminina ou uma ética masculina?  / 201
Considerações finais  / 205
Referências / 206

Sobre os autores  / 207

 
 

 

   
   
      


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