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Uma triste história de futebol no Brasil: o maracanaço
Nacionalidade, futebol e imprensa na Copa do Mundo de 1950

Autor: Gerson Wasen Fraga
Págs.: 532
Edição: 1ª
Formato: 14x21 cm
Idioma: Português
Lançamento: 2014
ISBN: 9788582000304

r$ 51,90

 

 

 

 

 

 

Contracapa

Futebol não é apenas um jogo. É um instrumento de afirmação de identidades, capaz de ser confundido e se confundir com a própria nação e seu povo.

A Copa do Mundo de 1950 foi um destes momentos em que todo um país identificou-se com sua seleção. O que julgávamos haver de melhor no brasileiro entrava em campo para enfrentar o que nos era historicamente apontado como mazelas da nossa alma.

A cada lançamento de Zizinho, a cada gol de Ademir, a cada defesa de Barbosa, nossa modernidade, civilidade e capacidade de chegar a grandes conquistas se solidificavam diante de nossos próprios olhos, mandando mais cedo para o chuveiro a ideia do brasileiro fraco, tímido, jeca, incapaz de alcançar feitos significativos.

Era deslumbrante a ideia de suplantar os metódicos ingleses, os inventores do futebol. Éramos melhores que os científicos iugoslavos, que os sanguíneos espanhóis, que os supreendentes suecos, que os temidos italianos. A Europa estava a nossos pés. E descobríamos uma outra face de nossa identidade...

Até que nos sobreveio o gol de Ghiggia.

Abas

Este trabalho é sobre futebol e parte de sua história e, sobretudo, sobre a identidade brasileira e um enorme choque de mazelas: antigo versus contemporâneo, rural versus urbano, velho Jeca de Lobato versus novo homem brasileiro que surgia com a modernidade...

Durante a Copa do Mundo de 1950, o futebol nos dava algo que a História nos negara: o orgulho de nós mesmos. Então, como em um passe de mágica, o brasileiro se julgava ca-paz de ser percebido pelas grandes nações do mundo como mais um povo civilizado. Descobrimos que nossas cidades eram modernas... à época, os jornalistas do exterior des-cobriram isto também. Descobrimos nossa gente operosa, capaz de erguer um gigante de concreto, o Maracanã, o maior do mundo, em tempo recorde. Descobrimos a beleza de nossa cultura, passível de ser entoada em uníssono diante dos espantados jogadores espanhóis. Descobrimos ainda mais coisas... Descubra você também!

Prefácio: A bola está no centro, aos pés do Jeca! O jogo vai começar

Cesar Augusto Guazzelli
Doutor em História

Quando o Gerson me procurou há quase dez anos com um projeto de pesquisa que havia pensado desenvolver para uma tese de doutorado em História, versando sobre a Copa do Mundo de 1950, a primeira coisa que me passou pela cabeça foi dizer que este já era um tema esgotado. Ele já não renderia sequer uma boa reportagem, quanto mais uma tese... mas daí eu lembrei, mais modestamente,  que minha própria tese tinha como tema um assunto que também parecera já sem atrativos para muitos com quem tive contato na minha época. Mais: eu havia orientado a dissertação de mestrado do Gerson que alcançou um nível muito alto, tornando-se uma referência para quem usasse a imprensa como fonte para trabalhos de história. E ainda mais: como tentava já há algum tempo solidificar uma área de estudos de história do futebol na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, vi na proposta uma possibilidade de incrementar a ideia.

Porém, todos estes considerandos perderam a razão de ser em face do projeto – e mais tarde do trabalho de pesquisa e, finalmente, da tese! – que tinha um enorme potencial e uma vez mais mostrou a capacidade ímpar que o Gerson tem em lidar com as fontes jornalísticas. Além disso, como ele mesmo costuma dizer, "a história do futebol", que ele não pretendia tornar o aspecto mais importante da tese, apareceu com força. No entanto, o principal de tudo isso foi o Jeca, o brasileiro que queria, e parecia capaz de chegar à grandeza, mas que tombara. Como tombara? Por que tombara? É disso tudo que trata este livro. E trata com a maestria da escrita, com o rigor da pesquisa e com o ânimo do verdadeiro historiador!

Logo após a Introdução, no texto "Aquecimento", Gerson nos apresenta um hipotético brasileiro, octogenário, que possivelmente tenha advindo ainda da escravidão e que tivera a oportunidade de assistir ao Brasil no campeonato mundial de 1950. Ele teria atravessado um período histórico que conviveu com o final de uma monarquia quase anacrônica, com uma República Velha oligárquica e excludente, com o Estado Novo autoritário, mas modernizador, e com a incorporação das demandas dos segmentos populares. O futebol estava atrelado a essas mudanças presenciadas nos oitenta anos do velho imaginário.

No primeiro capítulo, intitulado "Vestindo o uniforme", Gerson trata com detalhes as imagens que os intelectuais brasileiros construíram acerca do país e seus habitantes. No começo daqueles anos 50 que assistiriam à Copa do Mundo no Brasil, ainda estavam presentes e em discussão as muitas concepções que diversos autores tinham desenvolvido na primeira metade do século XX. O historiador aqui justifica uma escolha arbitrária de escritores, mas todos com uma produção muito destacada. São eles, na ordem como aparecem: Euclydes da Cunha, Oliveira Lima, Paulo Prado, Monteiro Lobato, Lima Barreto, Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda e Raquel de Queiroz.

No segundo capítulo, "A pátria e a crônica esportiva entram em campo", aparecem com vigor os principais aspectos envolvendo a participação brasileira na quarta Copa do Mundo quanto ao tratamento dado pela imprensa nacional. A partir do entendimento de como se desenvolveu e afirmou o futebol no Brasil – ao ponto de ter-se tornado o verdadeiro esporte nacional –, foi levantada a repercussão na imprensa de tantas interpretações anteriores sobre a nacionalidade brasileira. As projeções no terreno esportivo dos diferentes diagnósticos que recaíam sobre os brasileiros na imprensa dedicada à cobertura do Mundial foram analisadas cuidadosamente pelo historiador.

O terceiro capítulo, "O jogo", é o núcleo do trabalho, onde o autor trata com profundidade as expectativas encontradas na imprensa em relação à afirmação do Brasil no contexto mundial representado pela Copa do Mundo, as relações buscadas para a conveniência da realização do campeonato em nosso país. Além disso, aparece precocemente uma disputa entre vários estados sobre as condições de participação no esforço nacional, acompanhadas de satisfações de uns e desapontamento de outros. Na verdade, recria-se aqui também a imagem-síntese do torcedor brasileiro, identificado com o morador da capital. A mesma imprensa que procuraria perplexa as explicações para o fracasso dos jogadores nas profundezas do ser nacional era a mesma que com  muita facilidade reduzira os aficionados de todo país aos cariocas que frequentaram as arquibancadas nos jogos do Rio de Janeiro.

Finalmente, em "A prorrogação dos sentidos", o autor retoma um aspecto referente ao trauma da derrota frente aos uruguaios. A rememoração daquela tragédia nacional reaparece em diferentes conjunturas que retomam a necessidade de exorcizar os acontecimentos de 1950. O sonho da modernidade ceifado na final da Copa ainda reabre as feridas e retoma as ideias de uma recuperação simbólica frente ao mesmo adversário. Muitas vezes, o fantasma do Uruguai foi derrotado para vingar 1950, mas teima em retornar, como se isto fosse uma necessidade para, de tempos em tempos, repensarmos uma realidade social complexa e de desencanto.

Apesar de Gerson Fraga ter dado às considerações finais do trabalho o nome de "Apito final", não creio que ele tenha encerrado aqui seu jogo com a imprensa, com o futebol e com o Jeca. Penso que tenho com o Gerson uma proximidade capaz de me permitir vê-lo sempre como um pesquisador inquieto, um historiador preocupado com seu papel na sociedade e que está além dos muros acadêmicos, e com uma boa dose de ecletismo em relação aos motes para trabalho, coisas todas que eu admiro.

Assim, o Jeca ainda estará presente em futuras incursões de Gerson neste pouco conhecido país do passado. 

Sumário

Agradecimentos / 7

Prefácio (Cesar Augusto Guazzelli) / 9

Introdução / 17

Aquecimento / 35

Capítulo 1 - Vestindo o uniforme / 71

Intérpretes de uma jovem República / 83
A tristeza do Jeca / 100
O mulato Afonso: o Brasil a partir de suas entranhas / 115
Tempos modernos / 123
Os grandes intérpretes / 143
A cronista / 167

Capítulo 2 - A pátria e a crônica esportiva entram em campo / 181

A afirmação do futebol e da crônica esportiva / 195
O “Mal” suspenso na ideologia... / 242
...e o Brasil mal na foto / 247
Olhando além da fronteira / 259
Mulheres em campo / 267

Capítulo  3 - O jogo / 285

Um modelo de torcedor / 291
Grandes e pequenos cenários / 297
Mulheres e homens nas páginas e arquibancadas / 322
A seleção complexada / 347
A construção da vitória antecipada / 365
A busca por explicações / 396

Capítulo 4 -  A prorrogação dos sentidos / 437

A vingança necessária / 445
1970 / 468
O “Mundialito” / 493
E depois... / 508
O apito final / 513

Bibliografia / 521
Periódicos citados / 528
Outras fontes consultadas / 529
Fontes eletrônicas / 530

 
 

 

   
   
      


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