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Economia, espaço e sociedade - Volume 2 - Coleção: Fazendo História Regional

Organizadores: Adelar Heinsfeld, Alessandro Batistella, Ana Luiza Setti Reckziegel, Jeferson Mendes
Autores: Ironita P. Machado, Zélia Guareschi Fioreze, Thaís Janaina Wenczenovicz, Cristiane de Quadros De Bortolli, Ronaldo B. Colvero, Renilda Vicenzi, Adelmir Fiabani, Noeli Woloszyn, Alessandro Batistella, Eduardo Roberto Jordão Knack, Hemerson Ferreira, João Vicente Ribas, Humberto José da Rocha, Valdirene Chitolina, João Carlos Tedesco, Márcia dos Santos Caron, Darni P. Bagolin, Jeferson Mendes
Pág.: 368
Edição: 1ª
Formato: 14x21 cm
Idioma: Português
Lançamento: 2010
ISBN: 9788589769761

 

r$ 41,00

 

 

 

Texto de abas

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As obras representam um lugar de memória como forma de manu-tenção e reconhecimento de existên-cia social de uma elite cultural...
(pág. 28)

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Além de sua importância histórica para a formação do município, a estrada de ferro é importante simbolicamente.
(pág. 205)

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O Serviço de Proteção ao Índio (SPI) tinha como concepção inicial tornar o serviço aos moldes estrangeiros, incorporar o indígena à economia...
(pág. 334)

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De acordo com o Plano Diretor, Passo Fundo, na década de 1950 já podia ser considerada o grande centro regional
(pág. 207)

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O cenário econômico positivo polonês devia-se à exportação de alcatrão, cereais, madeira e ser-ragem para a Europa Ocidental, par-ticularmente para os Países Baixos, Inglaterra e norte da Alemanha.
(pág. 57)

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A partir da década de 1870, política e direito na sociedade escravista foram direcionados pelo setor dominante para regular a transição do trabalho escravo ao trabalho livre.
(pág. 92)

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No início do século XX, ser proprietário ou grande acionista de uma empresa colonizadora propiciava rendimentos econômicos e políticos, locais e estaduais.
(pág. 115)

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A ideia de pioneirismo, de progresso, do pior para o melhor, era passadaàs autoridades estatais pela colonizadora, que também difundia tais ideias entre os colonos.
(pág. 130)

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A desconstrução arbitrária de conceitos estabelecidos para definir realidades históricas objetivas representa um retrocesso científico. (pág. 139)

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A partir do século XVIII, a região Oeste catarinense começou a ser explorada por luso-brasileiros, quando o primeiro grupo de paulistas passou por essas terras a caminho do atual território riograndense.
(pág. 154)

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A atividade balseira representou a principal fonte de renda para muitas famílias da região, contribuindo para o surgimento de povoados à margem do rio Uruguai, assim como de estrutura capaz de atender às “necessidades” dos trabalhadores que desciam rio-abaixo, como casas de comércio e de prostituição.
(pág. 171)

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Durante a República Velha, a quase totalidade da população brasileira vivia excluída.
(pág. 174)

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A classe política uniu-se em torno de um projeto nacional, que se concretizou com a tomada da liderança política nacional, em 1930.
(pág. 37)

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Das periferias ao centro do Império, diariamente eram dirigidas caravanas lotadas de bárbaros acorrentados.
(pág. 220 )

 

Apresentação

Prof. Dr. Adelar Heinsfeld, PPGH-UPF

Nos últimos anos do século passado, um grupo de professores do curso de História da Universidade de Passo Fundo começou a pensar num programa de pós-graduação que seria o primeiro da área no interior do estado do Rio Grande do Sul.

Ao pensar a pós-graduação em História “longe das capitais”, optou-se por uma área de concentração que ao longo do tempo não tinha recebido a devida atenção por parte da historiografia: a história regional.

O vocábulo “região” deriva do latim “regere”, que significa domínio e poder. Assim, a região pode ser entendida como um recorte político-administrativo que, embora possa ter uma certa autonomia no plano local, está subordinada a um poder central. Ao longo dos anos, do Império romano às sociedades contemporâneas, o conceito de região foi se diversificando ou ampliando sua área de entendimento, passando por questões de cunho político, da dinâmica do Estado, da organização da cultura e do estatuto da diversidade espacial.

O número de adjetivos que acompanha o termo região também é significativo. Podemos falar de “região natural”, “região histórica”, “região geográfica”, “região econômica”, “região urbana”, “região homogênea”, “região polarizada”, “região....” Se por um lado, a variedade de conceitos serve para demonstrar a ambigüidade do termo, também poderá servir para demonstrar a sua riqueza.

Na linguagem do senso comum, a noção de região está relacionada a dois princípios fundamentais: o de localização e o de extensão. Ou seja, é empregada para ressaltar uma referência associada à localização e à extensão de um certo fato ou fenômeno, ou uma referência a limites da diversidade espacial.

Foi na geografia que a discussão sobre região mais avançou. A partir do paradigma da chamada “geografia crítica”, alguns geógrafos propuseram um novo conceito de região que fosse capaz de apreender as diferenças e as contradições geradas pelas ações dos seres humanos ao longo da história, em um determinado espaço. Para estes profissionais da geografia, a organização do espaço sempre se constituiu numa categoria social, resultado do trabalho humano e da forma que os homens se relacionaram entre si e com as forças da natureza. Tomando por base estes pressupostos, eles vão definir “região” como a categoria espacial que expressa uma singularidade dentro de uma totalidade: a “região” vai configurar um espaço particular dentro de uma determinada organização social mais ampla, com a qual ela se articula.

Um dos grandes representantes da “geografia crítica”, Milton Santos, propõe que a idéia de região deva estar no centro de um debate renovado. Segundo este autor, os progressos realizados no setor dos transportes e das comunicações, a expansão de uma economia internacional que se torna cada vez mais “mundializada” explicam a crise da clássica noção de região.1 Por isso que, nas atuais condições da economia mundial, a região não é apenas mais uma realidade concreta dotada de uma coerência interna. Nesse sentido, Milton Santos reforça o que Bernard Kayser já havia afirmado na década de 60: a região é definida principalmente do exterior.2 Para o renomado geógrafo brasileiro, o espaço local e o espaço total são aspectos de uma mesma e única realidade, que não podem ser entendidos de forma separada ou complementar.

Durante muito tempo, a faceta da historiografia, denominada de “história regional”, ficou restrita aos ditos “historiadores amadores”. Os chamados “profissionais da história” preferiam trabalhar com temáticas de maior abrangência.

O Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo tem contribuído para mudar esta visão sobre a história regional. Nos seus dez anos de existência, mais de 150 dissertações abordando o “regional” já foram defendidas. Através de sua linha de pesquisa “espaço, economia e sociedade”, acumulou um conjunto bastante amplo de estudos, com novas abordagens, muitas das quais pelo viés das relações sociais, dialetizando realidades conflituosas, revelando novos sujeitos e mediações sociais e políticas. Alguns destes trabalhos compõe este volume II da coleção Fazendo História Regional. No volume I, estão trabalhos que foram desenvolvidos na linha de pesquisa “política e cultura”.

O estudioso da história está sempre na fronteira; é um empreendedor de viagens. É um viajante real ou fictício que, ao percorrer novos espaços, sempre inicia sua viagem já pensando no regresso, para poder compreender melhor o que está deixando para trás. Neste livro, dezessete autores fazem sua viagem, trazendo ao público as reflexões que fizeram durante a confecção de suas dissertações de Mestrado.

No primeiro artigo, O poder identitário na história e historiografia regional, Ironita P. Machado traça o percurso percorrido e as problemáticas suscitadas na trajetória da cultura historiográfica regional e local produzida no período de l980 a l995, tomando como recorte espacial o centro-norte do Planalto rio-grandense, analisando a produção historiográfica regional, indicando os limites e as possibilidades desta produção; discute também a história e a historiografia regional no atual contexto, bem como as funções do conhecimento na práxis social.

No artigo Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul: um olhar sobre o território, Zélia Guareschi Fioreze, objetiva avaliar o conhecimento geográfico produzido no interior do instituto e o seu vínculo no processo de formação do território. A autora demonstra que o pensamento geográfico que perpassa a produção do IHGRGS encarrega-se de legitimar o território enquanto integrador e separador do extremo sul do Brasil, contribuindo desta maneira para “fazer” o Rio Grande do Sul.

Thaís Janaina Wenczenovicz, em Imigração polonesa no Brasil: um olhar interpretativo, nos mostra que a vinda dos poloneses para o Brasil deveu-se, sobretudo, às péssimas condições de vida na Polônia na época e ao sonho do trabalhador rural pobre de transformar-se em proprietário da terra para garantir sua sobrevivência e a de seus filhos. Na Polônia, isso era impossível, por causa do difícil acesso à propriedade da terra, em função da estrutura fundiária ali vigente. Por outro lado, a autora analisa como estes imigrantes organizaram a sua vida no Rio Grande do Sul e as dificuldades encontradas para isso.

Em Escravos: presença invisível no Planalto Médio Gaúcho, Cristiane de Quadros de Bortolli, analisa a presença de escravos e seu valor econômico no contexto sociopolítico nessa região, em especial, na formação dos municípios de Cruz Alta e Palmeira das Missões. Partindo de fontes primárias como inventários post-mortem, cartas de alforria, assentos de batismo, casamento e óbitos a autora contraria o que a historiografia tinha afirmado até então.

Ronaldo B. Colvero, em A fronteira Oeste: de um passo ao surgimento de uma cidade, aponta para a importância das opções que Uruguaiana dava ao comércio e consequentemente à economia local e internacional, demonstrando como os estancieiros e charqueadores foram se inserindo numa “geoeconomia”, onde as condições naturais de Brasil, Argentina e Uruguai, auxiliaram e permitiram que se desenvolvesse uma rede comercial no entroncamento das três fronteiras.

No artigo Colonização em Chapecó: colonizadora Bertaso, Renilda Vicenzi, descreve como ocorreu o processo colonizatório do Oeste catarinense, com destaque para o papel desempenhado por uma colonizadora, que fez com que o “velho Chapecó” perdesse seu perfil de sertão habitado e trilhado por caboclos e sertanejos, transformando-se em território povoado por migrantes, principalmente riograndenses, com fronteira definida e áreas demarcadas.

Mato, palhoça e pilão: o quilombo, da escravidão às comunidades negras [1532-2010], de Adelmir Fiabani, analisa o quilombo, nos seus mais de trezentos anos de existência, como forma singular de resistência do trabalhador escravizado à apreensão violenta e exploração de sua força de trabalho. Aborda também a ressignificação do termo quilombo na tentativa de abarcar mais comunidades aos quesitos da lei, nos anos seguintes à Constituição de 1988, que determinou o reconhecimento das terras dos remanescentes de quilombo.

Noeli Woloszyn, no artigo Os trabalhadores do rio: balseiros e balsas do Rio Uruguai (1930-1960), utilizando a memória dos balseiros apresenta a influência do transporte de madeira através do sistema de balsas no desenvolvimento econômico dos municípios envolvidos, bem como a importância desta no processo de povoamento da região Oeste catarinense e Norte rio-grandense.

Enfatizar as principais diferenças e similitudes entre o processo nacional e o regional, sobretudo no âmbito político, destacando-se as principais correntes político-ideológicas presentes nos sindicatos locais, bem como as principais greves e movimentos populares ocorridos no período em foco e as implicações dos principais acontecimentos sociopolíticos nacionais no movimento operário e sindical passofundense é o objetivo do artigo O movimento operário e sindical em Passo Fundo (1900-1964): história e política, de Alessandro Batistella.

Eduardo Roberto Jordão Knack, em Relações entre patrimônio e modernização em Passo Fundo, situa o patrimônio histórico-arquitetônico de Passo Fundo nos primeiros anos do século XXI como algo preocupante. Demonstra que a memória edificada perde espaço para um processo de modernização, urbanização e verticalização iniciado em 1950, acentuado em 1970 e 1980 devido a diferentes fatores e que, não obstante, o patrimônio protegido por lei sofre com abandono do poder público. A busca pela modernização, visando ao crescimento econômico e urbano da cidade para transformá-la em um centro regional, orientou as políticas de desenvolvimento urbano, impulsionando a construção de edifícios modernos e verticais, que acabaram tornando-se símbolo do progresso urbano.

Em seu artigo Cruz, espada e tronco: o cristianismo e a escravidão, Hemerson Ferreira mostra como o cristianismo historicamente serviu mais como defesa do que crítica à exploração dos indivíduos, grupos ou classes sociais escravizadas. No geral, a maioria dos pensadores cristãos ao longo dos séculos defendeu o cativeiro e a sujeição do cativo e não a sua libertação, tornando-se mais apoiadores que opositores da escravidão.

A representação cultural gauchesca do município de Passo Fundo, de João Vicente Ribas, identifica os agentes e espaços engajados na invenção e reprodução dessa identidade na cidade, nos âmbitos culturais, políticos e midiáticos, como forma de representação da municipalidade. São analisados livros de história, eventos, cobertura de imprensa e projetos políticos que tratam da questão, desde a fundação do primeiro Centro de Tradições Gaúchas, em 1952, passando pela gravação do filme Gaúcho de Passo Fundo, de Teixeirinha, até as comemorações do aniversário de 150 anos de emancipação política do município, em 2007.

Humberto José da Rocha, em seu artigo Apontamentos sobre a abordagem historiográfica de casos criminais ao abordar crimes pelo viés historiográfico, chama a tenção para o fato de que o estudo da criminalidade não significa, necessariamente, o foco sobre um desvio do criminoso, mas permite a compreensão de aspectos da sociedade em seu sentido funcional.

Valdirene Chitolina lança um olhar sobre a formação territorial dos municípios catarinenses de Coronel Martins, Entre Rios, Galvão, Ipuaçu, Jupiá, Lajeado Grande, Marema, São Domingos e Xaxim. No artigo Interfaces da colonização do Oeste catarinense: a antiga fazenda Rodeio Bonito (1920-1954), ocupa-se das particularidades que envolveram a antiga fazenda Rodeio Bonito para mostrar as marcas identitárias que transcenderam o meramente geográfico e que envolveram o cultural, o econômico, o político e a historicidade de diferentes grupos sociais que se fixaram nessa região em decorrência do processo colonizador.

Demonstrar que a região do Alto Uruguai riograndense foi um espaço programado de ação pública na configuração da forma capitalista da terra é o objetivo do artigo O Estado e a iniciativa particular na ocupação da terra na região do Alto Uruguai, de Márcia dos Santos Caron. A região norte do Estado foi palco das ações do estado positivista na regulamentação da terra através de processos de colonização de iniciativa particular, numa conjuntura de oportunidades políticas e de conformação da territorialização agrária em fase madura no interior da filosofia política do Estado e da dinâmica econômica em desenvolvimento.

A forma como o estado positivista, sob o controle do PRR tratou da questão indígena, é objeto de análise de Darni Bagolin, em O indígena na República Velha: as instituições de “proteção” no Rio Grande do Sul. O trabalho destaca a atuação (com ênfase na ineficácia), dos órgãos de “proteção” indígena: a Liga Patriótica de Catequese aos Silvícolas, Proteção Fraterna aos Indígenas e o Serviço de Proteção ao Índio.

Fechando este livro, temos o artigo de Jeferson Mendes, O barão de Caxias e a guerra contra os farrapos, um trabalho de investigação ainda em andamento, onde o autor busca permear os confrontos entre os farroupilhas e os imperiais comandados por Caxias, chegando até um dos confrontos mais discutidos e decisivos durante as operações militares de Caxias (a batalha de Ponche Verde), um confronto onde a vitória é dita pelos dois lados.

Agradecemos aos autores que atenderam ao convite dos organizadores para publicitar o resultado das suas pesquisas. Certamente, após a leitura deste volume II, da coleção Fazendo História Regional, os leitores terão uma nova visão sobre o panorama historiográfico produzido pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo.

Sumário

O poder identitário na história e historiografia regional

Ironita P. Machado / 13

Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul: um olhar sobre o território

Zélia Guareschi Fioreze / 33

Imigração polonesa no Brasil: um olhar interpretativo

Thaís Janaina Wenczenovicz / 57

Escravos: presença invisível no Planalto Médio Gaúcho

Cristiane de Quadros De Bortolli / 81

A Fronteira Oeste: de um passo ao surgimento de uma cidade

Ronaldo B. Colvero / 99

Colonização em Chapecó: Colonizadora Bertaso

Renilda Vicenzi / 113

Mato, palhoça e pilão: o quilombo, da escravidão às comunidades negras (1532-2010)

Adelmir Fiabani / 135

Os trabalhadores do rio: balseiros e balsas do rio Uruguai (1930-1960)

Noeli Woloszyn / 153

O movimento operário e sindical em Passo Fundo (1900-1964): história e política

Alessandro Batistella / 173

Relações entre patrimônio histórico e modernização em Passo Fundo

Eduardo Roberto Jordão Knack / 201

Cruz, espada e tronco: o cristianismo e a escravidão

Hemerson Ferreira / 217

A representação cultural gauchesca do município de Passo Fundo

João Vicente Ribas / 233

Apontamentos sobre a abordagem historiográfica de casos criminais

Humberto José da Rocha / 257

Interfaces da colonização do oeste catarinense: a antiga fazenda Rodeio Bonito (1920-1954)

Valdirene Chitolina / 273

O estado e a iniciativa particular na ocupação da terra na região do Alto Uruguai

João Carlos Tedesco, Márcia dos Santos Caron / 291

O indígena na República Velha: as instituições de“proteção” no Rio Grande do sul

Darni P. Bagolin / 319

o Barão de Caxias e a guerra contra os farrapos

Jeferson Mendes / 343

 

 

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